terça-feira, 28 de agosto de 2007

Coordenação Modular e Mutabilidade: um simpósio na EAUFMG.

Realizou-se nos dias 14 e 15 de agosto mais um simpósio promovido pelo Grupo MOM, desta vez com o apoio do Departamento de Projetos da EA. Assim, vai sendo consolidado o empenho do MOM na divulgação das suas pesquisas, bem como na abertura das suas reflexões à discussão pela comunidade arquitetônica.
Esta postura é tão louvável quanto rara, pois a tônica a nossa profissão em Minas Gerais, oscila entre o hermetismo e o estrelismo, praticamente sem ações intermediárias. Não se pode relevar, também, a agressiva ausência dos estudantes, em particular da UFMG, não obstante estivessem estimulados por liberação das aulas e pelo feriado.

Assisti às duas palestras programadas e infelizmente não pude ouvir as comunicações feitas nas tardes dos dois dias, muitas das quais acenavam com títulos promissores. É provável que essa lacuna seja responsável pela sensação de incompletude da reflexão que senti após o evento, embora o mais conveniente seria que o tema fosse suficientemente delineado nas palestras.
A primeira delas foi proferida por Helio Greven, arquiteto e professor, cuja atuação profissional e pedagógica concentra-se em temas ligados à industrialização na construção civil. Talvez por isto a sua defesa da Coordenação Modular tenha ficado quase exclusivamente focada na facilitação dos processos construtivos, no intercâmbio dos componentes e na conveniência da globalização deste mercado.
Entretanto, o mero resgate da idéia de coordenação modular já é um acontecimento significativo, pois embora esteja presente nas normas técnicas brasileiras desde os anos 50, como apontou o professor, o conceito não chegou a se integrar à cultura nacional. Na arquitetura não foi diferente, o que certamente contribui para o desperdício que caracteriza os nossos métodos construtivos. Além do mais, o crescente abandono no ensino de arquitetura, dos condicionantes de ordem formal e dimensional tem resultado não no apuro tecnológico ou na ampliação das experiências espaciais, mas na indigência da capacitação dos futuros arquitetos enquanto construtores e definidores de espaços.

Para a segunda palestra foi convidado o professor Jeremy Till, da Universidade de Sheffield. Sua fala desenvolveu-se em torno de um livro de sua autoria, com o título Flexible Housing, o que proporcionou uma estrutura consistente ao seu discurso.
Mantendo-se na tradição anglo-saxônica, a da precisão no uso das palavras, Till começou por fazer uma diferenciação fundamental, entre flexibilidade e adaptabilidade. O primeiro conceito refere-se à viabilidade de diferentes arranjos num mesmo espaço. Já o segundo não implica em mudanças físicas e sim na possibilidade de que os espaços venham a abrigar diferentes usos sociais.
A partir daí o livro desenvolve-se, aparentemente bem fundamentado, derrubando mitos, como a Casa Eames e entronizando outros, como a arquitetura vernacular. O livro também aponta caminhos e regras para uma arquitetura bem sucedida, no que tange aos usos.

A idéia de fundo, me parece, é o confronto entre uma concepção de arquitetura fundamentada em espaços mais especializados e uma outra, na qual a maioria dos cômodos não possui funções específicas. Simbolizando a primeira, os eternos Neufert e o Existenzminimum já na segunda, o paradigma é a arquitetura vernacular.
Subliminarmente, ou nem tanto, e embora referenciado por alguns péssimos exemplos da arquitetura de Sheffield, Jeremy Till coloca a história da arquitetura como uma espécie de aberração, diante do enganoso sucesso da habitação concebida pelos leigos.
Esta insistente suposição, seguidamente desmentida pela realidade, aposta na sabedoria natural do homem comum, pretensamente superior ao pensamento das elites, forjado na educação. Que continuem então com os banheiros dentro das cozinhas, com as funções íntimas integradas às sociais e os cômodos sem iluminação e ventilação naturais.
O arquiteto, entretanto, contribui civilizando. Também.
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domingo, 26 de agosto de 2007

sea



David Burdeny, 2005

"Black Queen" e a Topografia


Thiery Les Goues

sábado, 25 de agosto de 2007

Se eu tivesse um animal de estimação...



Nick Brandt, 2001

Pensando em Gehry e Ronchamp



Charlotte March, 1966


quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Gustave Courbet 1819 - 1877



"The young ladies of the village" e a Topografia


quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Alien


domingo, 19 de agosto de 2007

Antes de sair, olhe pela janela...


Umberto Boccioni (1882 - 1916)

El arte tiene que ser una función de la vida.
Umberto Boccioni.

Vazios e sólidos abstratos de uma cabeça. Bronze

Forme uniche della continuità nello spazio
(Unique Form of Continuity in Space), 1913Bronze (126.4 x 89 x 40.6 cm)


Sviluppo di una bottiglia nello spazio (Development of a Bottle in Space), 1912Bronze.












sábado, 18 de agosto de 2007

Notícias nossas

1. Sobre o Edmund Bacon e o Design of Cities: a vivência dos espaços, urbanos ou arquitetônicos é muito importante e modifica impressões virtuais. Entretanto, quando discutimos as obras, trocamos opiniões, analisamos fotos e desenhos, além de ampliarmos o nosso entendimento sobre a obra, expandimos o nosso conhecimento sobre ARQUITETURA: lançamos novos ideais pra nós mesmos.

2. O CONCURSO começa a bombar. Se continuar aumentando o número de fotos, vamos ter que aumentar tb o número de prêmios... e comprar mais cartuchos de tinta pra imprimir...hehe.

3. Sobre surfar nos céus de Brasília: o único risco é ser atropelado pelo Aerolula, pois a sua direção é sempre incerta...

4. Agradeço pela confiança: ninguém protestou quando eu disse que às CORES abaixo são iguais.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Ilusão


Os quadrados A e B tem a mesma cor?
Vou adiantar pra vcs: tem sim. A diferença deve-se a uma ilusão, chamada Ilusão da Mesma Cor (o nome é perfeito...). Essa ilusão mostra muito bem que, em Ciência, as observações humanas podem ser ambíguas ou pouco precisas. Mesmo observações diretas, como a da cor. Outras ilusões podem ser observadas, como o tamanho da Lua no horizonte.
Alguém ja disse que: "ciência hoje, superstição amanhã; superstição hoje, ciência amanhã"...

Antigamente os homens iam à Lua...


Clica e vai...

Presença

Colóquio em Bh: "Coordenação Modular e Mutabilidade"
A FAU Itaúna estava presente com o Pedro e a Michele. Depois faço um relato...... das palestras, né?

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Mario Botta: torre em Seul







Victor Brecheret: 1894 - 1955






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domingo, 12 de agosto de 2007

O patrono do Blog





Marco Vitruvio (50 a.C.), nos Dez Livros da Arquitetura, conta a história de um naufrágio, próximo à ilha de Rodes, no Mediterrâneo. No navio em questão, estava o filósofo Aristippus de Cyrene.

Conta Vitruvio que, quando o barco começou a afundar, os marinheiros se desesperaram, considerando-se perdidos. Aristippus os animou fazendo a seguinte observação: “Podemos contar com a sorte, pois vejo sinais de civilização”. Ele referia-se a formas geométricas, recortadas no horizonte. Ao relacionar Geometria e Civilização, Vitruvio, ressaltava que a geometria é fundamento da arquitetura, e introduz o tema com a ajuda do nosso filósofo.

Na seqüência da história, Aristippus e os seus companheiros são recolhidos por um povo hospitaleiro que dá a eles todo o conforto e meios de subsistência. Passados alguns meses, os homens, já recuperados, resolvem retornar à terra natal. Comunicado disto, Aristippus resolve ficar, mas manda um recado, a ser entregue aos governantes da sua cidade: “ Desejo que se empenhem para que todos os cidadãos sejam dotados de um bem valioso e que, no caso de um naufrágio, possam levá-lo consigo.”
Esse bem é a educação.
Com esta lição, Aristippus, o náufrago, passou a ter a minha admiração e, quando pensei num blog ligado à educação, me lembrei de homenageá-lo.
Entretanto, a notoriedade de Aristippus, que viveu entre 435 e 366 a.C, deve-se ao fato de ter sido ele o precursor de uma filosofia que considerava ser o Prazer, a finalidade maior da vida humana. Isso tem a ver com certas idéias de Vitrúvio o qual, conforme inferi, pretendia que a arquitetura fosse fonte de beleza, que falasse aos sentidos, não se constituindo apenas em referência de lições éticas.
Mais tarde, no Renascimento, Leon Battista Alberti, resgatando a tradição dos tratados de arquitetura, escreve o seu, no qual advoga para o homem, uma vida feliz. Vitrúvio, 1500 anos antes, e talvez inspirado por Aristippus, queria outra coisa: sonhava com uma vida apaixonada.

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Design of Cities


Um dos mais importantes livros na minha formação foi Design of Cities, do arquiteto americano Edmund Bacon (1910 – 2005). Paralelamente às suas qualidades e à abordagem do Urbanismo como área integrada à Arquitetura, o livro, escrito em 1967, tem uma particularidade que é de interesse especial para nós brasileiros.
Nele são analisadas várias cidades e dentre elas, a então novíssima Brasília. Bacon aponta vários problemas e impropriedades do projeto, no tocante à sua organização espacial. Entretanto, até aí, o autor não havia visitado a cidade. Ao fazê-lo, encontrando-se também com Lúcio Costa, sua avaliação muda. Bacon tem a humildade e honestidade intelectual de publicar como apêndice a critica inicial, negativa e no capítulo pertinente, a análise final, que tem o título: O Grande Esforço: Brasília. Ali, ele apresenta a cidade como o mais importante projeto urbanístico do século XX e afirma que seria “tolice para os arquitetos não tirarem vantagens das lições que ela oferece.”
Diz o texto: “ Desafortunadamente, Brasília não pode ser entendida a não ser quando experimentada no chão da cidade mesma. Uma das razões para isso foi apontada por Lúcio Costa, ao dizer que(...): Brasília só pode ser apreendida em relação às nuvens que passam continuamente por sobre as nossas cabeças, lançando quantidades variáveis de luz e sombra nas formas arquiteturais”. Prossegue Bacon: "(...) Enquanto o contraste entre a arquitetura imutável e elementos e detalhes sempre em mudança, tal como a água que esparrama das fontes, ou as bandeiras que tremulam ao vento, sempre foram um princípio do design urbano, em Brasília o elemento de mudança é provido pelas formações de nuvens que constantemente envolvem a cidade tornando-se parte do seu desenho dinâmico.”

O Urbanismo, dada a sua complexidade, muitas vezes se perde por entre estatísticas, parâmetros científicos e normas: me parece saudável, no entanto, nos lembrarmos de que a cidade é, antes de tudo, um espaço.
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Adélia Prado

Explicação de poesia sem ninguém pedir

Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.


(in Bagagem)
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O lider dos nossos representantes


sábado, 11 de agosto de 2007

Church 2000

A igreja do milênio é um magnífico projeto do Richard Meyer, que foi apresentado ontem.
Peter Eisenman participou do concurso e aqui vão algumas imagens da sua proposta. Chamo a atenção para a primeira, que mostra estudos feitos por ele. A fase em que estamos é a de estudos, então...





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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Curvas de nivel











O nosso guia


Eisenmann em Verona




E por falar em manipulação da topografia, vejam essa intervenção nos jardins do Castelvecchio, em Verona.
Confira: Peter Eisenmann, arquiteto.
Viagem à Italia (texto no Xerox... passagem por Verona)
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2B

Teve gente descobrindo ontem, que a vida é mais macia com lápis B.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Jacaré

Já que o assunto são os animais, o meu sobrinho de dois anos e meio me contou a seguinte piada:
(ele fala): Jacaré modeu meu pé!
(vc pergunta): Qual?
(ele responde rapidinho): Nun xei... jacaré é tudo igual!!!!!
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Crocs & gorilas


Depois de ler esse Blog, assim com ja havia feito George Bush, Ana Maria Braga também aderiu às crocs... e aos gorilas...

Capelas





Bons fluidos nas apresentações de ontem. Na apresentação do Hamilton ficou evidenciado, nos movimentos propostos pelo Tadao Ando, que a fruição da arquitetura não é só visual e envolve todo o corpo.
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EDITAL

Grande Concurso de Poderosas Imagens

Edital

O objetivo do presente concurso é compartilhar o prazer da Arquitetura.
Para participar, basta enviar para o email arqsergiomachado@yahoo.com.br , a foto de um edifício em que fique evidente o modo como ele se relaciona com o contexto onde se encontra, seja ele, urbano, natural ou mesmo histórico ou cultural.
As fotos devem ser de boa resolução, para permitir uma impressão de qualidade e deverão ser acompanhadas por uma breve explicação sobre o motivo da sua escolha.
Os trabalhos serão expostos da Faculdade e serão submetidos à votação dos professores.
O autor do exemplo considerado o melhor, ganhará uma maquete em cartão, da Igreja de São Francisco, na Pampulha.
O valor da inscrição de é R$150,00 (cento e cinqüenta reais), que já foram integralmente pagos por mim, de modo que vocês me devem esse favor. ..hehe

Prazo para envio dos trabalhos: 20 de agosto de 2007
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terça-feira, 7 de agosto de 2007

As crocs do Bush


Por essas e por outras, estão pedindo o impeachment dêle...

Concurso

As fotos devem ser enviadas para o meu email:
arqsergiomachado@yahoo.com.br

O Estudio 4 e a Capela

O comentário abaixo serve tb para o Estudio 4: na análise de um projeto, é preciso se colocar na posição do usuário: funcionalmente e espiritualmente.

TFG Aula 1

Na aula de ontem, assinalamos a importância de dois aspectos na elaboração de um projeto: o Programa e o Terreno.
O programa deve ser visto não apenas como uma listagem de espaços, mas como fonte de indicações preciosas do caminho a seguir. Quando vc compreende as atividades que deverão se desenvolver no novo edifício, sua mecânica e significado, as suas decisões de projeto são mais seguras. Um exemplo foi visto no programa da Flávia: ela havia descrito uma sala como sala de reuniões de funcionários. Discutindo o uso, percebemos que se tratava da reunião de um grupo importante, os capitães dos grupos de reinado. Com essa simples identificação, um espaço que parecia banal, pode ser concebido de modo a celebrar os acontecimnentos que terão lugar êle.
Já o terreno, que está relacionado inseparávelmente com o seu contexto, ou seja com o seu entôrno físico e com as condições culturais, históricas e dinâmicas locais, deve ser estudado e observado com carinho, para que se evite o danoso efeito da inserção. Voltaremos a esse assunto.

Blogs e Crocs


Blogs e Crocs têm duas coisas coisas em comum: estão na moda e não mordem....hehe

Uma mensagem ou texto escrito num Blog, tem o nome de "postagem" ou "post". Ao final dela vc vê uma indicação: "comentários". Clicando sobre ele, vc poderá ler comentários que foram feitos sobre aquela postagem e pode tambem, na janela que vai aparecer, fazer os seus.

domingo, 5 de agosto de 2007

O CONTEXTO




O que é respeitar um contexto? O que é responder a um contexto?
O que valorizar num contexto? O que corrigir e o que preservar?
Tais questões devem ser elucidadas no projeto: é aí que definimos princípios que serão confirmados pela obra. Ou não.

Faço dois convites:
O primeiro, dirigido aos alunos do 10 período, é que reflitam sobre este tema e estudem a problemática específica do seu trabalho. Caso vcs considerem oportuno, podemos realizar um seminário, com dois ou três palestrantes, discutindo casos e conceitos. Para que isto aconteça, é preciso que vcs sinalizem, o mais rápido possível, a sua disposição. A partir dessa manifestação, faremos os convites, agendamentos, etc.
O segundo convite, aberto a todos os períodos, é que enviem um exemplo das relações entre edifício e contexto: uma foto de boa resolução e um breve comentário, assinalando o motivo da escolha.
As fotos enviadas serão impressas e faremos uma exposição.
O melhor exemplo, (pelos votos dos observadores), vai ganhar uma maquete da Igreja da Pampulha.

Obs.:Para os meus orientandos de TFG, a participação é compulsória. Aos demais, peço generosidade... e espírito olímpico.
Prazo: até 20 de agosto.


As imagens são do Hotel Marquês de Riscal, na Espanha. Arquiteto: Frank Gehry

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