segunda-feira, 18 de agosto de 2008

É preciso que a arte não sirva pra nada

Um trecho do Reinaldo Azevedo.

"O que seria da arte sem os perdedores, sem o desvio, sem o desvario, sem os que transitam nas margens, sem os elétrons sentimentais e morais que passeiam fora do orbital? Seria só justificação do presente, tolhida da utopia que nos consola, da melancolia que nos educa, da gama variada de dores do demasiadamente humano que vai nos preparando para a morte. A arte, ah, a arte já é, então, a confissão de uma maravilhosa derrota. Vencidos pelas duas naturezas — a natureza ela mesma e a cultura —, precisamos de um discurso que seja alheio à eficiência, ao desempenho, à utilidade. É preciso que a arte não sirva pra nada a não ser falar de nossas “soledades”, como num poema de Lope de Vega. Nessa “arte pela arte” estão os relevos sentimentais que me interessam, e não pode haver ninguém mais terenciano do que eu: “Nada do que é humano é estranho a mim”."

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